:: ANJOS VESTEM DOLCE & GABBANA

martedì

:: A Terra...


A Terra
Também eu quero abrir-te e semear
Um grão de poesia no teu seio!
Anda tudo a lavrar,
Tudo a enterrar centeio,
E são horas de eu pôr a germinar
A semente dos versos que granjeio.
Na seara madura de amanhã
Sem fronteiras nem dono,
Há de existir a praga da milhã,
A volúpia do sono
Da papoula vermelha e temporã,
E o alegre abandono
De uma cigarra vã.
Mas das asas que agite,
O poema que cante
Será graça e limite
Do pendão que levante
A fé que a tua força ressuscite!
Casou-nos Deus, o mito!
E cada imagem que me vem
É um gomo teu, ou um grito
Que eu apenas repito
Na melodia que o poema tem.
Terra, minha aliada Na criação!
Seja fecunda a vessada,
Seja à tona do chão,
Nada fecundas, nada,
Que eu não fermente também de inspiração!
E por isso te rasgo de magia
E te lanço nos braços a colheita
Que hás de parir depois...
Poesia desfeita,
Fruto maduro de nós dois.
Terra, minha mulher!
Um amor é o aceno,
Outro a quentura
que se quer Dentro dum corpo nu, moreno!
A charrua das leivas não concebe
Uma bolota que não dê carvalhos;
A minha, planta orvalhos...
Água que a manhã bebe
No pudor dos atalhos.
Terra, minha canção!
Ode de pólo a pólo erguida
Pela beleza que não sabe a pão
Mas ao gosto da vida!
Miguel Torga

:: Aos Poetas...


Aos Poetas
Somos nós As humanas cigarras!
Nós, Desde os tempos de Esopo conhecidos.
Nós, Preguiçosos insectos perseguidos.
Somos nós os ridículos comparsas
Da fábula burguesa da formiga.
Nós, a tribo faminta de ciganos
Que se abriga Ao luar.
Nós, que nunca passamos
A passar!...
Somos nós,
e só nós podemos ter Asas sonoras,
Asas que em certas horas Palpitam,
Asas que morrem,
mas que ressuscitam
Da sepultura!
E que da planura
Da seara
Erguem a um campo de maior altura
A mão que só altura semeara.
Por isso a vós,
Poetas, eu levanto
A taça fraternal deste meu canto,
E bebo em vossa honra
o doce vinho
Da amizade e da paz!
Vinho que não é meu,
mas sim do mosto que a beleza traz!
E vos digo e conjuro que canteis!
Que sejais menestreis
De uma gesta de amor universal!
Duma epopeia que não tenha reis,
Mas homens de tamanho natural!
Homens de toda a terra sem fronteiras!
De todos os feitios e maneiras,
Da cor que o sol lhes deu à flor da pele!
Crias de Adão e Eva verdadeiras!
Homens da torre de Babel!
Homens do dia a dia
Que levantem paredes de ilusão!
Homens de pés no chão,
Que se calcem de sonho
e de poesia Pela graça
infantil da vossa mão!
Miguel Torga

:: Dolce & Gabbana...


venerdì

:: A Arte de ser feliz...




A arte de ser feliz


Houve um tempo


em que minha janela


se abria sobre uma cidade


que parecia ser feita de giz.


Perto da janela havia


um pequeno jardim quase seco.


Era uma época de estiagem,


de terra esfarelada,


e o jardim parecia morto.


Mas todas as manhãs


vinha um pobre com um balde e,


em silêncio, ia atirando


com a mão umas gotas


de água sobre as plantas.


Não era uma rega:


era uma espécie de aspersão ritual,


para que o jardim não morresse.


E eu olhava para as plantas,


para o homem,


para as gotas de água


que caíam de seus dedos magros


e meu coração ficava


completamente feliz.


Às vezes abro a janela


e encontro o jasmineiro em flor.


Outras vezes encontro


nuvens espessas.


Avisto crianças que vão para a escola


. Pardais que pulam pelo muro.


Gatos que abrem e fecham os olhos,


sonhando com pardais.


Borboletas brancas,


duas a duas,


como refelectidas no espelho do ar.


Marimbondos


que sempre me parecem


personagens de Lope de Vega.


Às vezes um galo canta.


Às vezes um avião passa.


Tudo está certo,


no seu lugar,


cumprindo o seu destino.


E eu me sinto completamente feliz.


Mas, quando falo


dessas pequenas felicidades certas,


que estão diante de cada janela,


uns dizem que essas coisas não existem,


outros que só existem


diante das minhas janelas,


e outros, finalmente,


que é preciso aprender a olhar,


para poder vê-las assim.


Cecília Meireles

:: Gabriel Rocca


domenica

:: Procuro...




Procuro a ternura súbita,
os olhos ou o sol por nascer
do tamanho do mundo,
o sangue que nenhuma espada viu,
o ar onde a respiração é doce,
um pássaro no bosque
com a forma
de um grito de alegria.
Oh, a carícia da terra,
a juventude suspensa,
a fugidia voz da água
entre o azul
do prado
e de um corpo estendido.
Procuro-te:
fruto ou nuvem ou música.
Chamo por ti,
e o teu nome ilumina
as coisas mais simples:
o pão e a água,
a cama e a mesa,
os pequenos e dóceis animais,
onde também quero que chegue
o meu canto e a manhã de maio.
Um pássaro e um navio
são a mesma coisa
quando te procuro de rosto
cravado na luz.
Eu sei que há diferenças
mas não quando se ama,
não quando apertamos
contra o peito
uma flor ávida de orvalho.
Ter só dedos e dentes
é muito triste:
dedos para amortalhar crianças,
dentes para roer a solidão,
enquanto o verão
pinta de azul o céu
e o mar é devassado
pelas estrelas.
Porém eu procuro-te.
antes que a morte
se aproxime, procuro-te.
Nas ruas, nos barcos,
na cama,com amor,
com ódio, ao sol, à chuva,
de noite, de dia,
triste, alegre
– procuro-te.
Eugénio de Andrade

venerdì

:: O meu...







O meu corpo executa um drama.
Anoitece.
Perde luz.
Dobram-se os joelhos
que me regem.
Deito-me de bruços.
A mão no ar
suspensa.
Sinto-me em decréscimo.
O Amor que me arruína
lavra-me de fogo.
As coisas apodrecem.
É o inferno que existe antes do Inverno.
Cascas, folhas, madeiras consumidas.
Todo o meu corpo se escurece.
A boca contra a terra ou contra Ela.
O Amor cada vez mais perplexo.
Os olhos meio abertos
por onde se escoam fumos e melancolias.
Deito-me por completo.
A cama é-me um reflexo.
Cubro-me com o lençol da terra, mudo.
O corpo faz-se ainda mais escuro.
Vermes no meio do sepulcro.
Terra, corpo onde emudeço por completo.
Por dentro a ferida
faz-se mais viva.
Pena rubra.
Ao meio, as Serpes etílicas,
quase evanescentes.
Entrego tudo.
Começam no céu a arder as estrelas.
É noite.
Ardem em lugares
cada vez mais distantes.
Levanto-me todo branco.
Os astros que brilham na noite
são o amor que solitário
o meu coração expande.
António Cândido Franco

:: Patrick di Fruscia...
















Fotografia em Patrick di Fruscia

domenica

:: A Hora...




A hora da partida

soa quando Escurece

o jardim e o vento passa,

Estala o chão e as portas batem,

quando A noite cada nó em si deslaça.

A hora da partida soa

quando as árvores parecem inspiradas

Como se tudo nelas germinasse.

Soa quando no fundo dos espelhos

Me é estranha e longínqua a minha face

E de mim se desprende a minha vida.

Sophia de Mello Breyner Andresen

:: Chamo-te...

Veja emRICARDO VIDELA PINTURA

Chamo-Te


porque tudo


está ainda no princípio


E suportar é o tempo


mais comprido.


Peço-Te


que venhas


e me dês a liberdade,


Que um só dos teus olhares


me purifique


e acabe.


Há muitas coisas


que eu quero ver.


Peço-Te que sejas o presente.


Peço-Te que inundes tudo.


E que o teu reino


antes do tempo venha.


E se derrame


sobre a Terra


Em primavera feroz pricipitado.


Sophia de Mello Breyner Andresen

:: Aos Domingos...


O Futuro

Aos Domingos, iremos ao jardim.

Entediados, em grupos familiares,

Aos pares,

Dando-nos ares

De pessoas invulgares,

Aos Domingos

iremos ao jardim.

Diremos nos encontros casuais

Com outros clãs iguais,

Banalidades rituais

Fundamentais.

Autómatos afins,

Misto de serafins Sociais

E de standardizados mandarins,

Teremos preconceitos e pruridos,

Produtos recebidos na herança

De certos caracteres adquiridos.

Falaremos do tempo,

Do que foi, do que já houve...

E sendo já então

Por tradição

E formação Antiburgueses

- Solidamente antiburgueses

Inquietos falaremos

Da tormenta que passa

E seus desvarios.

Seremos aos domingos,

no jardim,

Reaccionários

Reinaldo Ferreira

:: Quando...





Quando, minha luminosa,
deitado penso em ti
e a teu lado bebo as sombras
que te pousam na pele,
apenas a harmonia se respirada
tua testa pousada no meu peito,
das tuas mãos presas às minhas.
a noite avança e eu a medo toco
o teu cabelo.o silêncio tem a paz
de um olival e dos nossos passeios
no alentejo,o meu amor
é como a lua a aflorar-te
a face adormecida,o meu amor
é esta e todas as noites,
um sobressalto de estrelas
benfazejas,uma espuma serena
em que repouses, uma corrente
em que nades de alegria,uma vide
a entrelaçar-te, ó minha luminosa,
uma concha de ternura que te guarde.
uma espécie de música
que vá vibrando em ti.
Vasco Graça Moura

:: Anni Suvi...

ANNI SUVI

martedì

:: Branislav Fabijanic...











Fotografia em Branislav Fabijanic

:: Deixe-me...



Deixe-me beber teus rios,
percorrer tuas montanhas,
encontrar pontos cardeais
em todos teus
sentidos,com luas e estrelas
infinitas,brilhantes,nuas...
inocentes...
Deixe-me tocar
teus montes e picos
no ritmo ofegante
de um querer,
ainda por mim,
desconhecido. ..
Navegar teus mares,
descobrir tuas ilhas
aquecedoras,inexploradas...
Deixe-me dormir
em tua praia calma
e acordar pisando
tuas areias quentes
embebidas de teu gozo supremo.
Deixe-me procurar teus sonhos

e encontrá-los
em minha intimidade
úmida e quente a te esperar...

ansiosa...
Deixe-me saborear teu desperta
rentre manhãs e teus poros,
pêlos,pernas,
luxurias e carinhos ingênuos
nunca dantes recebidos...
Deixe-me sentir
tua língua acariciar minhapele
no toque mudo de teus lábios sedentos
buscando prazeres
adormecidos dentro de mim...
Deixe-me sentir o corpo
banhado por ti,como água
atrevida que me envolve,
devassa,explora caminhos virgens,
revela segredos,
desperta desejos
que teimam em não vir...
Deixe-me sonhar apenas,
com anjos alados,
ritmos alucinantes,frenesi...
deixe-me,te imploro...
deixe-me
acontecer assim...
somente...deixe-me...
Cida Souza

:: Mellik Tamas...
















Fotografia emMELLIK TAMAS

:: O MEU CONTACTO





ANAKIN SK


O amor deveria perdoar todos os pecados, menos um pecado contra o amor. O amor verdadeiro deveria ter perdão para todas as vidas, menos para as vidas sem amor.
Oscar Wilde

:: QUANDO SE APRENDE A AMAR O MUNDO PASSA A

:: QUANDO SE APRENDE A AMAR O MUNDO PASSA A
SER SEU... RENATO RUSSO

:: O SILÊNCIO FOI DADO À MULHER PARA MELHOR EXPRIMIR

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O SEU PENSAMENTO: DESNOYERS

:: NADA EXISTE DE GRANDIOSO

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